Defesa Civil tem 407 voluntários na região

Do Diário do Grande ABC - 8 de janeiro de 2012

Camila Galvez


Com mapa na mão e olho clínico para riscos, os 407 voluntários dos 42 Núcleos Comunitários de Defesa Civil da região monitoram as comunidades onde vivem. Por vezes se tornam anjos da guarda para quem mora em áreas suscetíveis a enchentes ou deslizamentos.
A cidade com mais voluntários é São Bernardo: são 135, divididos em 11 Nudecs, que abrangem 30 das 58 áreas de risco. Uma delas é o Parque São Bernardo, onde atuam o vendedor Thenco Queirós da Silva, 25 anos, o soldador Otacílio Salviano de Aquino, 45, o técnico de planejamento Sidnei dos Santos, 46, e o vigilante Adão do Nascimento, 44.
Os voluntários têm uniforme e total apoio da Defesa Civil e Assistência Social. "Hoje não há mais famílias vivendo em áreas com risco 4 aqui, que é o alerta máximo. Mas no passado vivenciamos o abandono", diz Silva. Em 2004, três crianças perderam a vida em deslizamento de terra.
Essa foi uma das histórias que motivou Aquino ao voluntariado. "Nosso objetivo é salvar essa gente". As últimas famílias que o grupo removeu viviam no Setor 2, onde o esgoto corre a céu aberto e sobre o qual os moradores construíram seus barracos. A auxiliar de enfermagem Deliane França Ferreira, 27, deixou o local na sexta-feira. "Não dá mais para ficar, está perigoso."
Para Sidnei, a dificuldade é convencer as pessoas a deixar as residências. "Na virada do ano de 2009 para 2010 conseguimos salvar uma família de nove pessoas na divisa com Santo André", orgulha-se.
Em Diadema, onde há cinco Nudecs e 33 voluntários, o anjo da guarda do Serraria está de mudança. "Vou ser anjo pra quê? Para levar porrada?"
O vigilante aposentado Hermes Egídio Freitas, o Gildão, 42, é voluntário do Nudec da Rua do Mar, que vira oceano com os alagamentos do córrego que agora está sendo canalizado, com investimento de R$ 7,5 milhões. Foram removidas 130 famílias e outras 235 serão urbanizadas.
Para Gildão, a administração abandonou os moradores que ficaram. Casas estão muito próximas da obra, sofrendo rachaduras e aumentando os riscos para os que não foram removidos. "Não entendo como eles não enxergam o que acontece aqui. É um perigo. Minha mãe se assustou esses dias com a demolição de uma casa e a pressão dela subiu. Ela foi parar no hospital e teve um AVC." Com o problema da mãe, Gildão desistiu de ficar ali. "Quero sair o quanto antes."

Região - Em Mauá, 50 voluntários atuam nos Nudecs do Jardim Zaíra e Jardins Sonia Maria e Silvia Maria. Em Santo André, são 19 Nudecs com 49 voluntários. Na cidade, há 19 áreas com risco de alagamentos e 23 com perigo de deslizamentos.
Em São Caetano, há cinco Nudecs em áreas com risco de enchentes. São 100 moradores da comunidade e 40 escoteiros que integram a Defesa Civil do município como voluntários. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não possuem Nudecs.

Santo André alerta população sobre riscos

A Defesa Civil de Santo André realiza desde dezembro a Operação Chuvas de Verão. Para prevenir possíveis ocorrências relacionadas às chuvas, o órgão elaborou recomendações à população.
No trânsito, é preciso ter cuidado para não fechar cruzamentos e facilitar a passagem de veículos de socorro. Caso seja necessário cruzar área alagada, só se deve fazer se tiver conhecimento da via e dirigir devagar, mantendo o carro sempre acelerado.
Em casa, a dica é colocar em lugar alto móveis e eletrodomésticos, desligar a chave geral e fechar o registro de entrada de água e gás. Colocar o lixo em áreas não afetadas pela enchente, evitando a contaminação. Retirar os animais de estimação dos locais que podem alagar e procurar local alto e seco para se abrigar. Para se prevenir contra as enchentes, as calhas e os ralos devem ser mantidos limpos, para facilitar o escoamento da água da chuva.
Áreas alagadas podem transportar diversos transmissores de doenças, como a bactéria da leptospirose, por isso, a Defesa Civil recomenda que os moradores não deixem seus filhos brincar nas águas das chuvas e que evitem ultrapassar os locais inundados.
Para quem mora em áreas de risco de deslizamento, os cuidados devem ser ainda maiores. O morador deve ficar atento a rachaduras ou trincas no imóvel, muros e paredes estufados, árvores, postes e muros inclinados. Se constatados esses sinais, recomenda-se que a família deixe a casa e vá para a escola ou Unidade de Saúde mais próxima para se abrigar, não se esquecendo de avisar a Defesa Civil, pelo telefone 199.
No ano passado, o Semasa limpou 21,8 mil bocas de lobo e cerca de 18 mil foram desratizadas. Outras 2.200 foram reformadas e 675 receberam novas lajes. Mais de 36,5 quilômetros de margens de córregos receberam roçada e capina. Os trabalhos incluíram a desobstrução preventiva de aproximadamente 9.580 metros de redes de esgoto, além de 31 unidades de galerias de águas pluviais.

São Bernardo intensifica Operação Guarda-Chuva

São Bernardo intensificou a Operação Guarda-Chuva, que reúne ações preventivas e emergenciais de combate às enchentes. A ação começou no dia 1º de dezembro e segue até 15 de abril.
Foram executadas obras de redução e eliminação de riscos, manutenção e limpeza da drenagem urbana, incluindo piscinões, remoção preventiva de famílias, ampliação da rede de pluviometria, monitoramento de campo contínuo e reuniões comunitárias. A administração também concluiu a limpeza de 14 piscinões, ao custo de R$ 3 milhões.
Outras duas operações funcionam nesse período. A Operação Informar Pra Prevenir distribui panfletos e realiza reuniões de reforço de informação. Na Operação Alerta Sai de Casa, Rede de Refúgios e voluntários de Defesa Civil são acionadas para auxiliar as famílias que moram nas áreas de risco caso haja remoção ou acidentes. Os desabrigados ficarão em refúgios.

0 comentários:

Sothonprint

Blog Desenvolvido Por SothonPrint Identidade Visual