Mudanças nas grandes cidades interferem na previsão de chuvas

Fonte: Jornal Nacional - TV Globo - Edição do dia 14/01/2012


Nessa época do ano, muitas regiões do Brasil sofrem com o clima, e é comum ouvir que está chovendo acima da média. Mesmo no Jornal Nacional, você já viu algumas dessas estatísticas. O repórter Fabio Turci explica como são feitos estes cálculos.


Espera-se, sempre, que a chuva seja fiel à própria história, que chova a média do que costuma chover, segundo os cálculos dos meteorologistas. “O valor médio é, na verdade, uma referencia para a gente. É de se esperar esse valor. Não necessariamente vai seguir esse valor”, aponta o professor de meteorologia Carlos Augusto Morales, do IAG-USP.
Os valores são medidos em equipamentos elementares: o pluviógrafo e o pluviômetro. O técnico em meteorologia Mário Festa, do IAG-USP, mostra a simulação de uma chuva. Cada milímetro de chuva é o mesmo que um litro em um espaço de um metro quadrado. Uma chuva de 40 milímetros, por exemplo, mal cobriria os pés, mas em quadradinho. Não em uma cidade.
“A água tende a se acumular nas regiões mais baixas, que é uma lei da natureza. Assim, você consegue juntar milhares de litros nas baixadas. É o que causa as tristes enchentes”, aponta o técnico em meteorologia Mário Festa, do IAG-USP.
Pelo Brasil afora, várias universidades, a Força Aérea Brasileira e o Instituto Nacional de Meteorologia medem a chuva, e fazem isso há décadas. Na USP, por exemplo, o arquivo tem registros desde 1933. Quando se fala em quantidade esperada de chuva, média de chuva, o cálculo leva em conta anotações que vêm desde aquela época.
No mês de janeiro, a média de chuva é de 230 milímetros, mas, se o cálculo for feito só nos últimos 20 anos, a média sobe pra 285 milímetros. Em janeiro do ano passado, choveu mais de 400 milímetros.
São Paulo, assim como outras grandes cidades do Brasil, mudou muito nas últimas décadas. A poluição aumentou, áreas verdes sumiram, e tudo isso interfere no clima, sem falar nos fenômenos que acontecem na atmosfera e, a cada ano, provocam mais chuva em lugares diferentes.
“A tendência natural que a gente vem observando é que as chuvas estão ficando mais intensas e mais frequentes. Então, a gente tem que começar a mudar o nosso comportamento e se adequar a essa nova realidade”, aponta o professor de meteorologia Carlos Augusto Morales, da IAG-USP.

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