Sirenes de prevenção de chuva são insuficientes na Região Serrana do Rio


Fonte: Jornal Nacional - TV Globo - Edição do dia 14/01/2012 


Um ano depois da chuva que matou mais de 900 pessoas na Região Serrana do Rio, as cidades devastadas ganharam alguns dispositivos de prevenção, mas que ainda são insuficientes. A reportagem é de Tiago Eltz.

 “Tinha uma moradora aqui que ela disse que, quando ela saiu na janela, ela viu que o céu estava muito estranho naquele dia. Ela disse que sentia que o tempo estava carregado. Sentiu que ia ter muita chuva”, conta Beatriz Rabelo, professora.
Fora o pressentimento da moradora, a chuva que ia causar a maior catástrofe natural da história do país caiu sobre Campo Grande, em Teresópolis, sem nenhum aviso, sem que nada alertasse quem vivia no local.
Desde então, muito se falou sobre como prevenir tantas perdas. Mas, para quem continua vivendo na região, o que mudou foi apenas a reação a cada nova chuva. “Você fica em pânico. Eu tenho duas filhas pequenas e, quando chove, elas não dormem. Ficam a noite toda acordadas. Pelo menos se tivesse um sistema nem digo alertas eletrônicos, mas uma pessoa”, comenta a dona de casa Viviane Rosa de Oliveira.
O sistema que a moradora quer já existe em outros bairros de Teresópolis. Sirenes foram instaladas para alertar sobre o risco de novos deslizamentos. Elas são acionadas pelo monitoramento eletrônico de estações pluviométricas ou de uma forma bem mais simples:
com uma garrafa pet, um telefone celular e um morador treinado.
“Pintou 60 mm, uma hora de chuva, a gente já entra em contato com a Defesa Civil, uma coisa que era simples, que já poderia ter sido feita há mais tempo. Teria sido evitado muita coisa”, diz um senhor.
O problema é que das 80 áreas de risco do município, só 30 já receberam sirenes. O déficit segue nos outros municípios atingidos. Nova Friburgo tem 58 áreas de risco, menos da metade tem sistema de alerta. Em Petrópolis, são 102, em apenas um distrito. As sirenes instaladas cobrem apenas 10 áreas.
Já Bom Jardim, São José do Vale do Rio Preto, Sumidouro e Areal não receberam sirene nenhuma.
Para que as sirenes tragam realmente um pouco mais de segurança para as comunidade é preciso que todos saibam que caminho seguir quando elas tocam, qual o percurso seguro, onde as pessoas devem procurar abrigo. Tudo isso precisa estar como que ensaiado. Mas talvez mais importante que isso: os moradores precisam estar convencidos de que o perigo é real.
Não é o que parece ter acontecido em Conselheiro Paulino, em Nova Friburgo. “Olha a distância que ela (a sirene) está: a mais ou menos uns 300 metros de distância daqui. Como ela vai avisar um acontecimento aqui?”, questiona um morador. “Não tem por que sair. Foi o prédio que o meu marido fez muito bem feito. Embaixo está tudo murado”, diz uma senhora.
Para Moacyr Duarte, especialista em gerenciamento de risco da COPPE-UFRJ, as sirenes não deviam ser tratadas como solução. “Ela é eficiente como meio provisório. A sirene definitiva é em área de tsunami, terremoto. Aqui a sirene funciona até que ou façamos a obra de correção ou retiremos as pessoas da área de risco. Feito uma das duas coisas a sirene é removida para outro lugar”, conclui.
Mas andando nas ruas de Conselheiro Paulino o que não encontramos são soluções definitivas. “Não tinha outro lugar. Morar na rua não pode. Aí voltei pra cá de novo, vim para cá de novo”, conta uma senhora.
E o detalhe é que Inês está morando em uma casa interditada. Na parte de cima do terreno, está o muro que desmoronou e que está ameaçando a casa da moradora e as casas vizinhas.
Para o especialista, os problemas não resolvidos potencializam uma nova tragédia. “A gente teve aqui uma grande tragédia climática no ano passado, que instabilizou todo o solo. Esse ano eu não preciso de uma chuva tão forte como a do ano passado para realizar aqui tragédias. Quer dizer, a cada ano o nosso potencial de destruição e mortes fica maior”, aponta Moacyr Duarte.

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