Desabamento no Ed. Senador - comentários do CREA

fonte: artigo do G1 - Globo

Sobrepeso ou má conservação do teto do Edifício Senador em São Bernardo do Campo, no ABC, ou ainda a combinação desses dois fatores podem ter contribuído para o desabamento parcial das lajes do prédio de 14 andares na noite de segunda-feira (6). A afirmação é do presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), Francisco Kurimori.
Um buraco de cerca de 10 metros de diâmetro se abriu no teto atingindo todas as lajes inferiores até o térreo. Uma criança morreu, seis pessoas ficaram feridas e uma mulher estava desaparecida até as 14h desta terça (7) por conta do desabamento.

“Em termos técnicos, as suspeitas são de sobrecarga, algo pode ter sido colocado em cima do teto, ou má conservação. O prédio tem 40 anos e pode ter havido uma infiltração de água que fez ruir a laje superior, que caiu sobre as demais em sequência. Ou pode ter havido essa combinação desses fatores”, afirmou Kurimori ao G1.

Engenheiro civil e construtor, o presidente do Crea-SP disse que perícia da Polícia Técnico Científica e avaliação dos bombeiros dirão quais foram as causas do desabamento. “Mas pelo que vi nas imagens da TV e nas fotos dos sites, dá para deduzir que o teto do último andar, por motivo desconhecido, cedeu. E caiu sobre o pavimento inferior provocando um impacto que ruiu esse pavimento e consequentemente o pavimento debaixo. Foi um efeito dominó até chegar ao térreo”, falou Kurimori.

“Tudo na vida tem prazo de validade. Com prédio não é diferente. Prédio tem prazo de validade também. Por isso é importante haver inspeção predial de um engenheiro credenciado de cinco em cinco anos, algo que só ocorre em algumas cidades do estado. Não é o caso de São Bernardo do Campo, por exemplo”, comentou o presidente do Conselho Regional de Engenharia.
Crea-SPO Crea-SP também instaurou nesta terça um processo ético e administrativo para tentar identificar os engenheiros que realizaram trabalhos no Edifício Senador e apurar a conduta deles e eventuais responsabilidades no episódio. De acordo com a assessoria de imprensa do Crea-SP, diretores da regional no ABC foram ao local do desabamento tirar fotos do prédio comercial de 14 andares e dos destroços das lajes que ruíram.
Segundo o Crea-SP, o procedimento administrativo que os engenheiros serão submetidos é chamado de "processo de sinistro". Além dos depoimentos dos profissionais, serão reunidos documentos do imóvel avariado, dos envolvidos diretamente na sua construção ou que tenham acompanhado eventuais mudanças, ou feito obras no edifício nos últimos anos. Também serão requisitados documentos de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do prédio e laudos dos bombeiros e da Polícia Técnico Científica sobre as condições do edifício e prováveis causas da queda. Somente após a compilação de todo esse material é que o Crea irá se pronunciar a respeito da possível culpa ou não dos engenheiros.
Caso fique comprovada alguma falha dos profissionais, eles poderão ser punidos administrativamente pelo Conselho, com advertência ou suspensão da autorização para trabalhar. “Será verificado se os engenheiros cometeram imperícia, imprudência ou se foram negligentes”, afirmou Kurimori.

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